Quer apoiar os profissionais de saúde da linha de frente? Invista em WASH

on
5 April 2018
in
Saúde
Thumbnail
WaterAid/Dennis Lupenga

Melhor água, saneamento e higiene nas instalações de saúde podem ajudar os profissionais de saúde a protegerem-se a si mesmos e aos seus pacientes.

Durante 23 anos, Gloria Mkukawa (foto acima) limpou a enfermaria de maternidade no Centro de Saúde Ntosa em Nkhotakota, Maláui.

Ela leva o lixo. Ela esfrega o chão. E, como parte do seu trabalho, ela e outros funcionário da enfermaria fazem pelo menos cinco viagens por dia a um furo numa escola próxima para recolher água. O furo de captação de água é o principal ponto de água para a comunidade, e a única fonte que o centro de saúde tem para ter acesso a água para os prestadores de cuidados de saúde, para os pacientes e para a limpeza.

A Gloria pode não ser a primeira pessoa que nos vem à cabeça quando falamos em «profissional de saúde da linha da frente». Mas ela é mesmo isso, e ela desempenha um papel muito importante para garantir que as mães e os recém-nascidos que vêm para a enfermaria tenham condições sanitárias e permaneçam livres de infeções.

Como o centro de saúde tem falta de pessoal, ela muitas vezes assume outras tarefas também.

«Uma manhã fui para a sala de partos para limpá-la e encontrei uma senhora no chão a gritar», conta Gloria. «O bebé já estava a caminho, eu conseguia ver a cabeça. Não houve tempo para ir chamar a enfermeira. Ajudei o bebé a nascer. E foi isso. Esse foi o dia em que comecei a ajudar nos partos.»

Auxiliares de enfermagem e empregados da limpeza como a Gloria - ao lado dos médicos, enfermeiros, parteiras e outros profissionais de saúde - colocam-se em risco todos os dias a cuidar dos seus pacientes e certificando-se de que as instalações de saúde estão limpas e seguras. A falta de água, saneamento e higiene (WASH) não só torna dificulta os seus trabalhos, como também os coloca em maior risco pessoal cada vez que eles vêm para o trabalho.

Infelizmente, a situação no Ntosa Health Centre não é única. Um estudo recente constatou que metade (50%) das unidades de saúde em países de baixo e médio rendimento não tem acesso à água canalizada, enquanto um terço (33%) não tem acesso a casas de banho melhoradas. Ainda mais (39%) não têm instalações para lavar as mãos com sabão. Uma amostragem de seis países mostrou que apenas 2% das instalações fornecem uma combinação de água canalizada, casas de banho melhoradas, instalações de lavagem de mãos decentes e gestão adequada dos resíduos.

A falta de WASH adequada contribuiu para mais de 800 trabalhadores de saúde contraírem Ebola durante a epidemia 2014-2016 da África Ocidental — resultando em mais de 500 mortes por profissionais de saúde. Além das implicações para a transmissão de doenças infeciosas, as condições inseguras e não higiénicas nas unidades de saúde têm um impacto negativo no atendimento, a moral, a retenção e a segurança dos profissionais de saúde. Pense nisto: gostaria de trabalhar numa clínica que não tivesse acesso a uma casa de banho decente ou sabão e água para lavar as mãos?

Os governos precisam de priorizar e financiar WASH em instalações de saúde não apenas para a segurança dos pacientes, mas para a proteção dos profissionais de saúde da linha da frente que lidam com condições inseguras dia após dia. Precisamos valorizar todos os profissionais de saúde — sejam eles clínicos, enfermeiros, empregados de limpeza, educadores de saúde ou voluntários — e garantir que eles tenham os abastecimentos e formação necessários para praticar uma boa higiene, prevenir infeções e descartar resíduos com segurança.

No Maláui, a WaterAid fez uma parceria com o Ministério da Saúde para formar profissionais de saúde na Ntosa e em outras clínicas de prevenção e controlo de infeções, e está a implementar um pacote abrangente de melhorias no WASH - incluindo um sistema de abastecimento de água movido a energia solar e casas de banho inclusivas.

Quando devidamente formado, o pessoal de saúde como Gloria torna-se a primeira linha de defesa contra infeções e surtos de doenças. E eles também podem ser fortes defensores da limpeza melhorada em instalações de saúde, dado que experimentaram em primeira mão como é o cuidado sem ela.

O resultado é que melhores serviços de água e saneamento proporcionam um ambiente de trabalho melhor e mais seguro e uma força de trabalho mais saudável e feliz. Os profissionais de saúde em todo o mundo colocam-se em risco todos os dias para cuidar dos outros. A Semana Mundial do Trabalhador da Saúde é um lembrete oportuno de que está na hora de falarmos e cuidar deles também.

Natasha Mwenda é Gestora do Projeto Deliver Life na WaterAid Maláui. Abigail Nyaka é Diretor de Programas da SoapBox Collaborative, também na WaterAid Maláui.

Este blog foi originalmente publicado na Frontline Health Workers Coalition >