Segurança e bem-estar dos trabalhadores de saneamento durante a COVID-19 no Sul da Ásia: uma avaliação rápida do Bangladexe, da Índia, do Paquistão e do Nepal durante o confinamento

Five female road sweepers in Bangladesh standing with their brooms wearing face masks, during the COVID-19 pandemic in Bangladesh.
WaterAid/ Parvez Ahmed

Quando a maioria dos países do sul da Ásia impôs confinamentos para conter a propagação da pandemia de COVID-19, apenas os serviços essenciais – incluindo o saneamento e a gestão de resíduos – podiam continuar. Isso fez com que os principais trabalhadores do setor do saneamento ficassem na linha da frente.

Há já muito tempo que os trabalhadores do saneamento são marginalizados em todo o sul da Ásia, por causa do estigma em torno da natureza do seu trabalho e da discriminação com base em castas, etnias e religiões. A pandemia de COVID-19 ampliou os já consideráveis perigos laborais e os riscos de saúde que enfrentavam, deixando muitos a trabalhar com proteção limitada, praticamente nenhuma orientação ou apoio formal.

Para entender a natureza e a extensão dos desafios que os trabalhadores de saneamento enfrentaram durante os confinamentos, promovemos estudos no Bangladeche, na Índia, no Nepal e no Paquistão, recorrendo a entrevistas telefónicas com trabalhadores do setor do saneamento e a informadores-chave. O estudo revelou algumas conclusões comuns:

  1. Embora os trabalhadores estivessem cientes dos sintomas e dos riscos da COVID-19, muitos estavam mal preparados para gerir esses perigos, devido à falta de orientações específicas ou formação formal, ao acesso limitado a equipamentos de proteção individual (EPI) e a instalações inadequadas para limpeza e lavagem das mãos.
  2. A pandemia agravou as vulnerabilidades existentes, como a falta de seguro de saúde ou outras formas de proteção social. Apesar de nalguns países, terem existido exemplos de apoio direcionado para os trabalhadores do saneamento, estes eram frequentemente esporádicos e limitados em termos de escala, deixando a maioria dos trabalhadores gerir por si quaisquer impactos sobre a sua saúde, os seus rendimentos e as despesas crescentes.
  3. Embora tenha havido um maior reconhecimento da importância do seu trabalho durante este período crítico, as atitudes em relação aos trabalhadores, por vezes, mudaram para pior. Por exemplo, houve casos de proprietários e vizinhos a pedir que os trabalhadores do saneamento fossem embora das suas casas devido ao risco de contágio.
  4. A informalidade que caracteriza o trabalho de saneamento – mais predominante entre as trabalhadoras – ampliou as vulnerabilidades existentes dos trabalhadores e foi um espelho da ausência de uma rede de segurança, de um rendimento regular, de cobertura de seguros e de acesso a EPI.

Há uma clara necessidade de apoio imediato para os trabalhadores de saneamento, para que possam lidar com os maiores riscos à medida que a pandemia continua, e no futuro.

Transfira o relatório de síntese para conhecer as ações imediatas e a longo prazo que os governos nacionais, os atores regionais, as autoridades municipais e as partes interessadas não governamentais devem tomar para melhorar as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores de saneamento, bem como para abordar as profundas desigualdades estruturais que os colocaram à margem da sociedade. Explore os detalhes da investigação nos relatórios individuais dos países.