Fortalecimento dos sistemas tanzanianos para chegar até mais pessoas com água, saneamento e higiene

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Para chegar a todos, precisamos de grandes mudanças nas prioridades de investimento e de política. Mas pequenas mudanças no planeamento e na implementação de serviços de água, saneamento e higiene podem fazer uma grande diferença na qualidade do serviço e mudar vidas. Priya Sippy e Nicas Petro partilham o que os participantes da Tanzânia aprenderam com um programa de formação sustentável em água e saneamento.

Quando se pensa em melhorar o acesso a água, saneamento e higiene (WASH) nas comunidades mais marginalizadas, frequentemente o que nos vem à mente é construir novas torneiras e casas de banho. Mas que tal observar a forma como trabalhamos e a forma como os nossos parceiros – como o governo local, empresas de serviços públicos e parceiros de desenvolvimento – trabalham? Poderão as mudanças individuais e organizacionais que aí ocorrem também ter impacto no progresso rumo ao ODS 6? 
Em 2016, a WaterAid Tanzânia começou a trabalhar com a Niras e a WaterAid Suécia na iniciativa de Água e Saneamento Urbano Sustentável (SUWAS) do Programa Internacional de Formação (ITP). O programa, financiado pela Agência Sueca de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (SIDA), utiliza o poder da partilha de conhecimentos e do desenvolvimento de capacidades para melhorar o planeamento e a implementação de serviços de WASH urbano. O objetivo não é apenas atingir mais pessoas, mas fazê-lo de forma sustentável e equitativa.

Identificar os desafios

O primeiro Programa de Formação SUWAS teve início em 2016. Abrange agora cinco países africanos: Tanzânia, Quénia, Uganda, Ruanda e Zâmbia.

Seis participantes da Tanzânia inscreveram-se em SUWAS África do ITP e cada participante focou-se num projeto de mudança, analisando os desafios que enfrentam na sua organização e que travam o progresso no acesso a WASH. Os participantes incluíam o Responsável Regional de Saúde e o Engenheiro Regional da Água do Governo Regional de Manyara, dois membros do pessoal da Autoridade de Água e Saneamento de Babati (BAWASA), o Diretor Nacional da ONG Dorcas e um representante da Câmara Municipal de Babati.

O programa durou cerca de 15 meses e foi dividido em cinco fases. Uma fase envolveu uma formação programada de três semanas na Suécia e, noutra fase, os participantes visitaram o Uganda. Durante estas visitas, a delegação teve oportunidade de aprender sobre diferentes tecnologias e planeamento urbano, estimulando ideias que poderiam levar consigo e aplicar nos seus próprios contextos para reforçar os sistemas WASH.


Um dos temas-chave que surgiu em todos os projetos dos participantes foi a falta de coordenação entre as partes interessadas na região. Isto tem afetado várias áreas do fornecimento de WASH, incluindo financiamento, recursos e níveis elevados de água não remunerada. O serviço público da cidade, BAWASA, partilhou que estavam a registar cerca de 48% de água não remunerada, o que significava que tinham menos rendimentos para reparações e ampliação de serviços. Perceberam que um dos principais desafios era a coordenação, porque quando outras agências governamentais faziam trabalhos de construção cortavam canalizações de água, levando a um desperdício de água e perda de dinheiro.

Além disso, a BAWASA não tinha mecanismos de resposta ou de comunicação com os membros da comunidade, pelo que quando havia danos nas infraestruturas não existia um sistema que lhes permitisse comunicá-los.

Inspiração para melhoria

Através do programa SUWAS do ITP, a BAWASA identificou formas de melhorar a comunicação e a coordenação entre as partes interessadas. Após uma visita à Suécia e ao centro de recursos do Royal Seaport em Estocolmo, a delegação foi inspirada a saber como os interessados planearam e construíram a nova área na cidade. Como Evans Simkoko, Responsável Regional de Saúde explicou, "A coisa mais útil que aprendi com o programa SUWAS do ITP é sobre planeamento colaborativo. Em Estocolmo, vimos como os intervenientes de todos os diferentes setores se juntaram para planear a nova área urbana. As partes interessadas estiveram envolvidas desde o nível comunitário até ao nível nacional e pensaram em como ligar a cidade à natureza."

A BAWASA tomou medidas para reduzir a água não remunerada, incluindo o estabelecimento de reuniões regulares de partes interessadas e o envolvimento de todas as agências que prestam serviços na cidade. Estas reuniões ajudaram a melhorar o planeamento e coordenação dos trabalhos de construção ou reparação, o que ajudará a proteger as infraestruturas da cidade. As partes interessadas assinarão em breve um Memorando de Entendimento que delineará a forma como trabalham em conjunto.

A entidade também criou alguns mecanismos de comunicação – como um grupo de WhatsApp que envolve parceiros – para facilmente partilhar e obter informações. Também criaram um centro de atendimento telefónico gratuito para que os clientes possam falar diretamente com a entidade e comunicar quaisquer fugas ou danos.

Benefícios notáveis

Ao longo de um ano, a BAWASA registou algumas mudanças – incluindo uma diminuição de 8% na água não remunerada – devido ao seu compromisso de comunicar e coordenar com as partes interessadas. Iddy Msuya, Diretor Executivo da BAWASA, partilhou o seguinte:

Um conselho que eu daria a outros serviços públicos: não pense que precisa de muito dinheiro para reduzir a água não remunerada. Se trabalhar de perto com os cidadãos, pode educá-los na proteção dos serviços e obter rapidamente informações sobre danos nas infraestruturas.

O programa SUWAS do ITP ajudou a demonstrar o poder da palavra. Já com muita experiência em WASH, a partilha de conhecimentos e experiência com os interessados em todo o mundo provou ser inestimável para os participantes à medida que avançam com os seus projetos de mudança.

Para chegar a todos, precisamos de investimento e capital. Contudo, por enquanto, este programa demonstrou que pequenas mudanças na forma como trabalhamos podem fazer uma grande diferença – e esperamos que cheguem a mais pessoas com água limpa, casas de banho decentes e boa higiene.

Priya Sippy é Gestora de Comunicação e Campanhas da WaterAid Tanzânia. Nicas Petro é Gestor de Programas Sénior. Conheça as mais recentes novidades da WaterAid Tanzânia @WaterAidTZ